LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA

sábado, 7 de novembro de 2009

A EXISTÊNCIA DE JESUS

“Jesus não teria sido um mito?”

A idéia de que Jesus é um “mito” levou alguns pensadores europeus a publicarem livros a respeito. Mas todo o esforço nesse sentido foi mal dado, diante daquilo que Deus negou a esses pensadores, isto é, diante das provas históricas irrefutáveis da existência de Jesus. Pois Jesus não está na História. Ele fez a História. O mundo em que vivemos é o mundo cristão e o mundo cristão nasceu de que? Dos ensinamentos de Jesus.
Alguns naturalmente se apegam a certas exposições de pensadores materialistas, que querem negar a existência de Jesus.
Mas a mesma é tão mais firmada na História do que qualquer outra. Além disso, os fatos comprovados e investigados atualmente, nas pesquisas universitárias, não apenas nas pesquisas dos religiosos, mostram que realmente Jesus existiu, foi um homem, agiu intensamente na Palestina, criou uma nova concepção do mundo, que foi registrada pelos seus discípulos, aparecendo mais tarde nas formulações dos Evangelhos.
Poderão dizer, por exemplo: Os Evangelhos foram escritos muito depois da morte de Jesus. Sim, tinha que ser assim; é preciso saber que os Evangelhos se basearam em fontes muito importantes.
Uma delas é chamada Aslogia, que são as anotações feitas pelos apóstolos e discípulos-apóstolos, durante as pregações de Jesus.
Aslogia são, portanto, elementos colhidos no próprio momento em que Jesus pregava, em que ele vivia, em que ele agia entre os homens; aquilo que se chama o Proto Evangelho de Marcos, que é geralmente designado pela expressão alemã Ur Marcos. Por que Ur Marcos? Porque é um Evangelho que surgiu ainda no início da era apostólica, logo após a morte de Jesus, elaborado por alguém que se dizia ser Marcos. Não sabemos se Marcos era ele.
Esse Evangelho relatou então a vinda de Jesus e os acontecimentos que foram figurados no Evangelho de Marcos. É por isso que se chama o Proto Evangelho de Marcos. Porque é o Evangelho que vai dar base ao Evangelho de Marcos.
Ernesto Renan, por exemplo, que foi o grande investigador histórico, famoso por suas obras de investigação da história do Cristianismo, tem livros dedicados aos Evangelhos em que explica pormenorizadamente e afirma, de maneira decisiva, que os mesmos nasceram do círculo dos mais íntimos de Jesus, dos seus familiares, dos seus discípulos, daqueles que privaram com Ele.
Passados mais de cem anos depois de Renan, aparece na França Charles Lindenberg, grande pesquisador e professor de história do Cristianismo na Sorbonne, que afirma, depois de profundos estudos a respeito, a mesma coisa que Renan.
Os Evangelhos nasceram nos círculos mais íntimos, ligados a Jesus, portanto procedem da fonte dos Seus ensinos orais. Se isso não bastasse para provar a existência de Jesus, existem todos os testemunhos, dados pelos apóstolos. Alguém pode dizer: não há na História um registro assim, por um historiador qualquer, da passagem de Jesus na Terra. Realmente, essa passagem foi obscura.
Jesus viveu na época do mundo clássico greco-romano. O que era importante, no tempo, era a história de Roma e não a história da palestina. O que se passava na Palestina tinha pouca importância.
Quando o historiador judeu Josefo trata da história da Palestina, ele não dá atenção a Jesus, porque Jesus era um rabino popular.
Ele era uma figura exponencial do mundo judaico; não era nem sequer um sacerdote do templo. Ele era um daqueles tipos de rabinos populares, mestres do povo, que andavam pela Palestina, ensinando.
A grandeza de Jesus não era material, exterior. Não era dada pelos nomes, nem pelos títulos. Era a grandeza moral e espiritual de Jesus que transparecia nos Seus ensinos. E a melhor grandeza desses ensinos se confirma pelos resultados que eles produziram no mundo.
Qual foi o homem que, humildemente andando de sandálias, pelas praias de um lago humilde, como o lago de Genesaré, pregando nas estradas, nos povoados, nas ruas das cidades judaicas daquele tempo, numa província obscura do império romano, que era a Judéia, qual foi o homem, repito, que dessa humildade e nessa humildade conseguiu produzir, através simplesmente de palavras, ensinos orais, uma revolução total, que transformou a civilização greco-romana na civilização cristã? Quem conseguiu isso? Ninguém. Só Jesus. Esta é a maior prova, a mais decisiva prova de sua existência, do seu trabalho, da sua grandeza.
O pensamento de Jesus modelou a civilização em que vivemos.
E ainda esta civilização não conseguiu amoldar-se completamente ao pensamento de Jesus, porque se tivesse conseguido, estaríamos num mundo superior. O que Ele ensinou corresponde à vida do homem terreno.
Para que maiores testemunhos visuais, oculares, da vida de Jesus, que os dos apóstolos todos que o seguiram na sua pregação, que assistiram, de perto ou de longe, a sua crucificação e o seu martírio, que depois deram testemunhos da sua ressurreição e que anunciaram o Evangelho de Jesus ao mundo inteiro? Para que maiores testemunhos do que aquilo que viram e assistiram? Esta é uma confirmação histórica.
Houve, também, um livro publicado em língua espanhola, com um título interessante: “Napoleão é um mito”, no qual o autor, que diz ser sido Jesus um mito, se apoiou num dado curioso: Napoleão era cercado por 12 generais. Veio do Oriente para o Ocidente. Fazia o chamado “trajeto solar”. Era um “mito solar”.
Napoleão era como o sol no Zodíaco, cercado por 12 signos.
Assim, ligando os pormenores, o autor espanhol elaborou a tese mitológica da existência de Jesus, a qual pretendia que Jesus fosse, também, um “mito solar”.

J. Herculano Pires – No Limiar do Amanhã

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A FAMÍLIA DE JESUS

EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DE NASCIMENTO DE CARLOS PASTORINO



Mateus 12:46-50
45. Enquanto ele ainda falava à multidão, a mãe e os irmãos dele estavam de fora, procurando falar-lhe.
47. E alguém disse-lhe: "olha, tua mãe e teus irmãos estão lá fora e procuram falar-te".
48. Mas ele respondeu ao que lhe falava: "quem é minha mãe e quem são meus irmãos"?
49. E estendendo a mão para seus discípulos, disse: "Eis minha mãe e meus irmãos;
50. porque aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe!

Marcos 3:20-21 e 31-35
20.  E entrou em casa; e mais uma vez a multidão afluiu de tal modo que nem sequer podiam comer pão.
21.  Quando seus parentes souberam disso, saíram para segurá-lo, porque, diziam, "está fora de si".
31. Chegaram sua mãe e seus irmãos; e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
32. E muita gente estava sentada ao redor dele e disseram-lhe: "Olha, tua mãe e teus irmãos [e tuas irmãs] 3. estão lá fora e te procuram".
33. Ele perguntou-lhes dizendo: "quem é minha mãe ou meus irmãos"?
34. E olhando em torno para os que estavam sentados em roda, disse: "eis minha mãe e meus irmãos;
35. pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe".

Lucas 8:19-21
19. Vieram ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão.
20. E foi-lhe dito : "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora querendo ver-te".
21. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: "minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam".

Aqui são nos apresentados os familiares de Jesus, numa cena curta e objetivas. Jesus achava-se em casa, e a multidão o comprimia de tal forma que ninguém podia chegar até ele (cfr. Marc. 2:1-2; vol. 2o.pág. 81). E quando se apresentam Sua Mãe e Seus irmãos e querem falar-Lhe.
Em Mateus, o vers. 47 parece apócrifo, pois falta nos códices aleph e B, em quatro manuscritos, nas versões siríacas (sinaítica e curetoniana) e na saídica. Por isso não é aceito por Hort, Soden, Tischendorf, Lagrange e Pirot. Com efeito é redundante, com um pormenor desnecessário, podendo passar-se do 46 ao 48.
Em Marcos, que apesar de mais sucinto é o que traz mais minúcias, a cena é descrita em dois lances. No primeiro dá-nos ciência de que seus parentes (hoi par'autou) vieram a saber, em Nazaré (que distava de Cafarnaum cerca de 30 km) do que se passava com Jesus. As notícias chegam sempre aumentadas, mormente após caminharem trinta quilômetros! Tão exagerada, que seus "Parentes" o julgaram "fora de si" e foram depressa "para segurá-lo", a fim de impedir que Seu entusiasmo e Sua exaltação mística Lhe prejudicassem a saúde. A expressão "fora de si" é usada por Paulo (2 Cor. 5:13) para exprimir exatamente o êxtase místico, e não (como traduziu a Vulgata) a loucura.
Entre a notícia recebida e a chegada a Cafarnaum, Jesus tem tempo de discutir com os escribas de Jerusalém.
Quando seus "parentes" chegam, é que ficamos sabendo de quem se tratava: "sua mãe, seus irmãos e suas irmãs".
A expressão "suas irmãs" está nos códice A, D, E, F, H, M, S, U, V, Gama, e na maior parte das antigas versões latinas; é aceita por Soden e Merck; Vogel e Nestle a colocam entre colchetes. Não aparece nos códiçes Aleph, B, C, G, K, Delta, Pi, 1, 13, 33 e 69 e na Vulgata, sendo recusada por Westcott-Hort, Souter, Swete, Lagrange e Pirot.
A pergunta, aparentemente desrespeitosa para com Sua mãe, vem demonstrar que Jesus, em sua missão, näo está preso pelos laços sangüíneos, tão frágeis que só vigoram numa dada encarnação. A família espiritual é muito mais sólida, pois os vínculos são espirituais (sintônicos) e não materiais (sangue e células perecíveis). Jesus não pode subordinar-se as exigências do parentesco terreno, mesmo em se tratando de Sua mãe. Com o olhar benévolo sobre os que O rodeavam, Jesus lança Sua doutrina nítida: o ideal é superior aos laços de sangue; a família espiritual é mais importante que a natural e sobreleva a ela. Nem se diga que há mais obrigação de cuidar dos "próximos" consangüíneos, mais do que dos estranhos, já que aqueles constituem uma "obrigação" (e por isso os romanos os designavam com a palavra "necessários"), e os outros "apenas" amizade. Não vale isso: pois se os parentes consangüíneos realmente amam o idealista e querem sua presença e assistência constante, por que também não se tornam seus discípulos espirituais e o acompanham por toda parte como os demais adeptos?
Para o que se dedica ao ministério espiritual contam apenas, como parentes" aqueles que lhes bebem os ensinos e dele se aproveitam para evoluir. Se os consangüíneos quiserem, podem agregar-se aos discípulos (como o fizeram os irmãos de Jesus Tiago e Judas Tadeu, que até se tornaram Seus emissários (apóstolos).
Quanto aos quatro irmãos de Jesus (Tiago, Judas Tadeu, Simão e José e às duas irmãs (Maria e Salomé), já apresentamos o problema do parentesco no vol. 2o. pág . 111-112.
A lição de Jesus (individualidade) quanto ao modo de serem tratados os parentes consangüíneos, vale hoje e sempre. Não é o fato, repitamos, de haver um laço de parentesco, que pode desviar o curso evolutivo de um espírito. O parentesco espiritual de fraternidade REAL com todas as criaturas (porque filhos do mesmo PAI celestial), é muito mais forte; e Jesus ensina categoricamente: "a ninguém na Terra chameis vosso Pai, porque só um vosso Pai: aquele que está nos céus" (Mat. 23:9), ou seja no imo do coração: a Centelha Divina, o Cristo Interno.
Os Parentes - inclusive pai, mãe, irmãos e irmãs - são acidentes temporários que se desfazem ao terminar essa encarnação, renovando-se a cada novo nascimento (salvo exceções em que se verifica uma repetição que, por vezes, dura duas ou três vidas).
Mas os sintônicamente afins, esses seguem em grupos homogêneos que, mesmo sem parentesco físico algum, se reencontram seguidamente durante milênios.
Outra lição que depreendemos ao texto, é que os parentes representamos veículos do espírito (físico, etérico, astral e intelecto), que são os "parentes" terrenos mais próximos e chegados ao espírito encarnado. E a descrição do modo de tratá-los mereceu um tratado especial, o Bhagavad-Gita.
A cena evangélica, neste passo, mostra-nos como a individualidade deve tratar seus veículos. Muitas vezes o Espírito se retira ou trabalha, na meditação ou no estudo; e os veículos físicos vem chamá-lo, porque o acham "fora de si", desequilibrado. Mas o Espírito, de acordo com a lição de Jesus, precisa colocá-los em seu devido lugar. Eles tem que ser veículos que façam a vontade do Pai (Centelha Divina) e conduzam à espiritualizaçäo. Se quiserem atrapalhar, conclamando o Espírito para satisfação dos apelos do físico, das sensações do etérico, das emoções desequilibradas do astral e dos prazeres puramente intelectuais, não devem ser atendidos, mas rejeitados, quanto o Espírito busca seus pares, os que estão na mesma faixa vibratória.
As exigências fisiológicas tendem sempre a afastar o Espírito de sua ascensão evolutiva, e por isso a personalidade é, realmente, um "satanás" ou "diabo", que tenta desviar todos os impulsos que levam ao Sistema, ao pólo positivo - que é árduo de conquistar - para arrastá-lo para o pólo negativo, onde tudo é mais fácil, agradável e satisfatório. Mas o Espírito prevenido pelo ensino do Mestre recusa ouvir-lhe essas exigências, e lhe responde autoritariamente que, se quiserem algo dele, o acompanhem na sua evolução, como servos dóceis e eficientes.

Carlos Torres Pastorino
(Extraído do livro "Sabedoria do Evangelho")

terça-feira, 3 de novembro de 2009

CRISTO E O MUNDO

O cristão decidido, na busca incessante do auto-aprimoramento, não se pode descurar de manter-se em constante vigilância, a fim de que as distrações do caminho a percorrer não o desviem da rota.
A mente, pela facilidade de manter-se em polivalência de idéias, tende a constantes mudanças de comportamento, aceitando as induções que lhe chegam, alterando o plano de reflexões.
No torvelinho das preocupações, na horizontalidade do pensamento vinculado aos interesses imediatistas, surgem com muita freqüência interesses atraentes, que dizem respeito às necessidades do cotidiano, dando lugar a alterações de anseios e de valores que antes recebiam considerações acurada.
Nesses momentos têm início as vacilações quanto às metas elegidas, por se tornarem mais agradáveis aquelas que dão imediata resposta de prazer, que afetam os sentidos, proporcionando alegria inconseqüente.
Naturalmente, a desincumbência de tarefas idealísticas exige esforço, que sempre se transforma em sacrifício, pelo romper das algemas dos vícios que predominam em a natureza humana, como decorrência de condutas arbitrárias e agressivas do passado.
Pela natural tendência de evitar qualquer tipo de sofrimento, o ser humano prefere desfrutar no momento, embora procure anestesiar a razão a respeito dos efeitos danosos que advirão dessa atitude.
A atração pelo gozo arrasta multidões desavisadas aos labirintos d demoradas aflições, onde estorcegam e tentam libertar-se, o que somente é conseguido a preço alto de renúncia e de lágrimas.
Eis porque a eleição do Cristo, como roteiro de segurança, constitui definição de alta sabedoria, que somente conseguem aqueles que estão saturados das quimeras terrestres imediatas, enquanto anelam por felicidade legítima, por alegria plena.
Realizada a opção, a fim de que as vacilações e incertezas da marcha não constituam fator de desânimo ou de arrastamento para o recuo, faz-se necessário que cada qual indague o que lhe significa Jesus, como O vê e o que dEle espera.
Jesus, sem dúvida, é possuidor de um significado incomum, porque o Seu amor, de tal maneira é envolvente que, todos quantos com Ele se identificaram, nunca mais puderam dispensar-Lhe o convívio.
Em razão da necessidade de preencher os vazios do sentimento, diminuir as angústias da emoção, os tormentos dos desejos, Jesus representa o meio seguro para a completude, o estímulo para as lutas transformadoras, o refúgio dinâmico para o repouso após as refregas desgastantes.
A Sua serenidade em todos os momentos constitui emulação para o enfrentamento das mais diferentes situações e mais graves desafios, por facultar coragem feita de bondade e de compaixão para com o opositor.
Ele constitui o exemplo da vitória sobre si mesmo e as ocorrências em sua volta, oferecendo a segurança de paz, que falta nos líderes humanos, nos combatentes apaixonados, nos modelos que ainda não se encontram.
Se Ele tem esse significado na existência de alguém que O busca, torna-se indispensável vê-lO como o amor que se compadece, mas não conive, que ajuda, porém não se detém, que ensina, e também exemplifica, que convida ao Bem e o faz incessantemente, que propõe o reino dos céus, tornando mais digna a vida na Terra.
Ele deve ser visto sempre como a força que não violenta e conquista, a bondade que esparze socorros, mas estimula os beneficiários a que se levantem e se libertem dos fatores que dão surgimento às necessidades, a paciência que sempre aguarda, no entanto, segue adiante, confiando que aqueles a quem convida não mais poderão passar sem a Sua presença...
A visão que dEle se pode ter ilumina a consciência, porque é uma percepção interior enriquecedora, que não mais permite qualquer tipo de escuridão moral nos recessos dos sentimentos.
Ele se apresenta no imo de quem O busca na condição do vencedor inconquistado, de lutador sem repouso, do Homem Integral que se impôs a missão de libertar os seres humanos das suas paixões, doando a própria vida, a fim de ensinar a vitória sobre o ego em perfeita identificação com Deus.
Somente quando é visto na condição de Amor não amado, é que sensibiliza mais profundamente aquele que pretende seguir-Lhe as pegadas, atraído pelo Seu magnetismo incomum.
Alcançando esse patamar de visão altruística sobre Jesus-Cristo, torna-se natural saber exatamente o que dEle se espera.
O mundo oferece conforto, júbilo, entusiasmo, afeto, convívio agradável como decorrência de muitos sacrifícios, como é natural em todos os empreendimentos, no entanto, face à fugacidade da existência física, o tempo devora essas ofertas e deixa expressivos vazios no sentimento angustiado, quando o sofrimento não assinala as horas demoradas da jornada humana.
O homem no mundo espera felicidade e gozo, tranqüilidade e bem-estar, fundamentado na ilusão do poder econômico, social, político, religioso, artístico, cultural, científico, de qualquer espécie. A fragilidade do poder, todavia, decompõe-no, deixando magoado aquele que confiava haver adquirido tudo, em razão do desmoronar momentâneo do seu castelo de sonhos, ante a presença do infortúnio, a perda dos haveres, a saúde, a separação pela morte daqueles a quem ama...
A pessoa, porém, que busca Jesus, espera dEle a misericórdia da compaixão e do auxílio para superar-se, o aumento da fé a fim de vencer a própria incredulidade, a paz que advém do dever retamente cumprido.
Amando-O, espera ser alcançado pela Sua inspiração, fruindo a alegria de viver e estimulado a continuar as batalhas pela auto-iluminação.
Já não espera do Seu amor os bens materiais, tão do agrado dos que se enganam; as posições de relevo, que se transformam em dolorosos fardos de ostentação e loucura, os ouropéis que se desgastam e não oferecem harmonia, amor ou paz...
Vinculando-se a Jesus, espera preterir o mundo e suas facécias, preferindo o futuro radioso e pleno que começa desde o momento da eleição, entesourando amor duradouro, que se estende em direção a tudo e a todos.
A partir do momento do amor em expansão, a opção por Cristo está realizada, e aquele que a fez, nunca mais será o mesmo, jamais se arrependendo nem retornando ao primarismo, porquanto o oxigênio puro da montanha da sublimação evangélica inundá-lo-á com vigor para sempre.

Eurípedes Barsanulfo
Psicografada por Divaldo P. Franco
06.06.1998 - Viena - Áustria

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SAUDADE


Agradeço o socorro que me deste
Quando cai do conforto do ninho...
Beijaste-me no lenço de alvo linho,
Mas regressaste, cedo, à Luz Celeste...

Venho rogar em teu Lar de cipreste,
A tua bondade, a alegria, o carinho
E o apoio da fé na secura do agreste,
Que serão luz e vida em meu caminho.

Estou no Além... Já procurei-te, em vão,
E seguirei, enfim, onde possa chamar-te,
Sempre com Deus em minha devoção...

Confio em ti, vida de minha vida,
Um dia, hei de encontrar-te, Mãe querida,
Pela saudade atroz do coração.

Livro Preito de Amor - Psicografia Chico Xavier – Autores Diversos

domingo, 1 de novembro de 2009

COMO A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS VE O DIA DE FINADOS?


O dia de finados está relacionado com a morte. Logo, para falarmos de finados, temos que falar da morte.
A Doutrina Espírita nos mostra que somos Espíritos eternos e imortais. Quando encarnados, temos o corpo físico, o corpo espiritual (o perispírito) e o Espírito. Quando desencarnados, temos o corpo espiritual e o Espírito.
A vontade, a inteligência, as emoções, estão no Espírito.
Logo percebemos que a morte como comumente escutamos, não existe. Ninguém morre, no sentido de acabar, pois o Espírito, conforme dissemos no início é eterno e imortal.
A morte então é uma passagem do plano físico para o plano espiritual, para um descortinar de uma nova existência, mais pulsante, mais bela.
Para isso, é preciso que desenvolvamos nossas qualidades morais, de acordo com os ensinamentos de Jesus.
Embora tenhamos um grande desenvolvimento intelectual, a morte ainda não é bem entendida para a maioria de nós, mesmo os espiritualistas e os espíritas.
Em que sentido falamos isso ? No sentido do apego. Embora já tenhamos alguns conceitos bem delineados em nossa mente, o coração não responde adequadamente a estes conceitos.
O resultado é que temos visto uma enorme quantidade de espíritos desencarnados expressarem suas dificuldades na vida de além túmulo, com relação as saudades de seus entes queridos, realidade que não é diferente para nós que estamos encarnados. Por nosso apego em demasia, criamos situações extremamente desconfortantes, onde entramos em grande desequilíbrio nos momentos de separação.
Não queremos aqui dizer que aquele que compreende a morte não possa sofrer, mas sofrer resignadamente, acreditando antes de tudo em Deus, em sua infinita Misericórdia e vontade.
É preciso modificar a nossa idéia acerca da vida, que não se resume a vida material, mas essencialmente a vida espiritual.
É preciso desenvolver a nossa fé em Deus, é preciso sedimentarmos esta fé, eu diria, e termos absoluta certeza que as nossas preocupações são normalmente infundadas, pois acima de nós estará sempre nosso PAI.
Nossos filhos, nossos pais, são empréstimos que Deus em sua profunda misericórdia nos concede, para que possamos nos desenvolver cada vez mais os nossos instintos, transformando-os em sentimentos para que mais tarde possamos este sentimento enobrecido se torne aquele AMOR que Jesus exemplificou para todos nós.
Além do mais, o nosso desequilíbrio, seja neste ou no plano espiritual, perturba diretamente aqueles que dizemos amar.
Que amor então é esse, que em vez de pacificar, que em vez de fazer o bem, acaba prejudicando?
O dia de finados deve ser visto então como mais um dia em que devemos elevar nosso pensamento a Deus, orando fervorosamente por aqueles que já partiram, para que esta prece, feita sempre de coração, possa ser o bálsamo, possa ser o refrigério, para aqueles que nós amamos e já partiram para a pátria espiritual.
Aliás, a prece está entre os maiores bens que podemos fazer em benefício daqueles que já partiram.
Se quem partiu está na condição de sofrimento ou de perturbação, a prece será de grande benefício.
Se quem partiu está consciente, lúcido de sua realidade espiritual, da mesma forma, a prece chegará como um bálsamo ao coração de quem amamos, pela lembrança e pelo carinho.
Logo, se somos ligados pelos pensamentos, e o podemos fazer mais fortemente através da prece, podemos entender que não é necessário o nosso deslocamento no dia de finados até o cemitério, para transmitirmos os nossos melhores sentimentos.
Não vai aqui nenhuma condenação, pois cada um está dentro do seu campo de entendimento, mas como espíritas, podemos vibrar positivamente de onde estivermos.
Busquemos então desenvolver cada vez mais a nossa fé raciocinada, aquietando nosso coração com a certeza que ninguém neste universo está desamparado, que Deus protege a cada um de seus filhos, para que evitemos o engano de nos sentirmos insubstituíveis.
Mais do que sabermos, é preciso que sintamos. Deus não pode estar somente em nossas mentes, apenas em um conjunto de definições.
Quando a preocupação com um ente que já partiu apertar, lembremos antes de tudo que Deus olha por ele.
Temos visto muitas vezes nas sessões de desobsessão, relatos pungentes, principalmente de mães, que ficam desesperadas por não poderem cuidar mais de seus filhos. Na verdade não percebem que quanto maior o desespero, menor a condição de ajudarmos e sermos ajudados.
Confiemos sempre em Deus. O PAI sabe o que faz, onde Suas leis são perfeitas.
Estes são os apontamentos que temos acerca do dia de finados. Que Deus abençoe a todos nós.

sábado, 31 de outubro de 2009

O CAMINHO DE NOSSA HARMONIZAÇÃO

Na questão 919 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga dos instrutores que orientaram sua obra: “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?”
Um sábio da antigüidade vo-lo disse: “Conhece-te a ti mesmo”
Sócrates estava certo, mas, como é ainda difícil a tarefa de nos conhecermos!
O dever do espírita cristão é tornar-se progressivamente melhor. A finalidade do espiritismo é ajudar o homem em seu progresso moral para que ele seja feliz consigo mesmo e com os outros. Não foi outra a finalidade da missão de Jesus. Mas, para que o homem possa melhorar-se moralmente, ele precisa se conhecer.
Precisa saber de suas virtudes e defeitos, suas possibilidades e limitações, o que deve e o que não deve mudar.
Entretanto as pessoas se acovardam diante de tais atitudes. Preferem bisbilhotar a vida alheia, condenam os outros a estudar e a julgar a si mesmas. Em geral, as pessoas querem se parecer virtuosas, boas, honestas. Ficam inconformadas quando alguém lhes aponta um defeito, o que demonstra que não são tão virtuosas assim. Preferem um elogio falso a uma crítica verdadeira. A nossa tendência é de assumir o que é bom e atribuir aos outros o que é ruim.
Quando agimos com acerto, procuramos aos quatro ventos nossa vitória; quando é o outro quem acerta, não damos tanta importância ao fato e preferimos comentar que ele não fez nada demais.
Quando erramos, corremos para encobrir ou disfarçar para que o erro não apareça, quando o erro aparece, então procuramos sempre justificar; mas quando é o outro quem erra, levantamos a voz para acusá-lo, criticá-lo e até mesmo feri-lo moralmente.
Se estamos realmente interessados em melhorar, temos que mudar nossas atitudes. É importante estarmos em constante exame com nosso íntimo.
Façamos a guisa de nos conhecermos melhor, algumas perguntas a nós mesmos:
“Sentes que está mais calmo, afável e compreensivo?” “Conquistou a paz dentro de casa?” “Colabora com euforia na seara do Senhor?” “Traz o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo mais vivo nas atitudes?” “Anda um pouco mais livre do anseio de influência e de posses terrestre?” “Seus instantes de tristeza ou de cólera surda, às vezes tão conhecidos somente por você, estão presentemente mais raros?” “Dissipou antigos desafetos e aversões?” “Estuda mais profundamente a doutrina que professa?” “Entende melhor a função da dor?” “Usa mais intensamente os pronomes ‘nós’, ‘nosso’, e ‘nossa’ e menos os determinativos ‘eu’, ‘meu’ e ‘minha’?”.
Tudo caminha. Tudo evolui. Confiramos sinceramente nosso rendimento individual com o Cristo. Interroga com consciência quanto à utilidade que vem dando ao tempo, à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfruta na vida diária. Faça isto agora enquanto se vale do corpo humano, pois, quando passar para o lado de lá, talvez seja mais difícil.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DIA DOS MORTOS


Você já parou para pensar no sentimento que move as criaturas diante da morte de um ser querido? Se você nunca teve essa experiência, dificilmente conseguirá pensar devidamente.

É que a morte ainda no Ocidente é uma grande hidra. As criaturas têm um medo terrível da morte e do morrer. Muito pouca gente se dá conta de que a morte é o reverso da medalha da vida. Para que nós tenhamos vida, há necessidade deque haja morte.
No planeta material em que nos encontramos, todas às vezes em que nós falamos do fenômeno da vida, só o falamos porque esse fenômeno está atrelado ao da morte. Para que uma coisa viva, outra coisa terá que morrer. Para que a planta viva, a semente morre. Para que o pão apareça, temos que triturar o grão. Dessa maneira, para que nós, seres humanos, vivamos temos que matar tantas plantas para nos alimentar, alguns animais que alimentam a nossa mesa.
Temos que digerir, que deglutir uma quantidade enorme de partículas de vida que estão pelo espaço, pelo ar que respiramos. Temos que gastar uma quantidade muito grande de oxigênio para podermos sobreviver.
A morte significa muito pouco no conjunto da vida. Afinal de contas, quando pensamos nesse fenômeno do morrer e aprendemos que a morte é conseqüência do desgaste dos órgãos, nos apercebemos que começamos a morrer quando nascemos, quando somos dados à luz e temos que respirar com os nossos próprios pulmões. Aí começa o fenômeno da queima, do desgaste do órgão, da morte.
Quando nós pensamos nisso, temos que ver que a morte é um fenômeno hipernatural. Tudo que nasce morre, tudo que é matéria no mundo se transforma, e uma das formas de transformação nós chamamos de morte. Um dos modos pelos quais as coisas se transformam é a morte.
Morre a montanha de minério, para que surja a montanha de barro por exemplo. Morre a ostra para que nasça a pérola. E dessa forma, nós verificamos sempre essa dualidade, vida e morte, esse claro-escuro da vida e da morte que nos acompanha.
Valeria a pena pensarmos, nesse dia em que as nossas sociedades ocidentais homenageiam os seus mortos. Chamamos Dia dos Mortos, Dia de Finados, não importa, o que importa é que dedicamos um dia para prestar homenagem aos nossos antepassados, aos nossos amigos, aos nossos afetos, aos amores nossos que já demandaram o Mais Além, que já cruzaram essa aduana de cinzas da imortalidade.
No Dia de Finados encontramos tanta gente verdadeiramente mobilizada por sentimentos de fraternidade, de ternura, de amor, que vão aos cemitérios, aos Campos Santos, na busca de homenagear os seus entes queridos. Merece todo respeito essa iniciativa.
Nada obstante percebemos quanto que vamos ficando escravizados dessa situação, imaginando, supondo, pelos aprendizados que fizemos das nossas religiões, ou pelas coisas que ouvimos falar aqui e ali, que os nossos mortos estão lá. Chegamos a ouvir as pessoas dizerem:
Eu vou visitar a cova do meu pai. Eu vou visitar a sepultura de minha mãe.
Como se ali estivesse o seu pai, como se ali a sua mãe estivesse.
Lemos inscrições tumulares do tipo Aqui jaz Fulano de Tal, mas não é verdade. O Fulano de Tal que nós queremos homenagear não jaz ali na sepultura. Ali estão seus despojos, ali estão seus restos mortais.
É como se nós tirássemos uma roupa imprestável e atirássemos essa roupa na lixeira. Esquecemos dela, deixamos que o tempo cumpra o seu papel. Nenhum de nós teria a idéia, de todos os dias, ir lá visitar a roupa velha e imprestável, atirada no monturo.
Então, nada obstante esse respeito com que nós, cristãos, encaremos essa relação com os mortos, com o morrer, por mais que estejamos com esse intuito de homenagear aos nossos seres queridos, será muito importante criarmos o hábito de pensar neles vivos.
Ali na cova, na sepultura não jazem nossos entes queridos. Eles jazem, eles vivem, eles vibram, na nossa intimidade, nos nossos pensamentos. Eles se movem no Mundo dos Espíritos.
* * *
Ao pensar nos nossos mortos, cabe ter essa certeza de que os nossos mortos vivem, eles não estão jazendo nos sepulcros.
Que coisa grotesca será imaginar nossos seres amados enterrados na sepultura com os seus despojos! Vale a pena pensar numa gaiola vazia, donde o pássaro já se foi. Vale a pena pensar nisso.
O nosso corpo físico, durante um tempo mais ou menos largo, serve-nos de morada, serve-nos como uma gaiola que, ao mesmo tempo que nos ajuda a aprender, a crescer, também é um instrumento através do qual resgatamos aquilo que devemos em face da vida, coloquemos em ordem a nossa consciência com as Leis Divinas.
Logo, o Dia de Finados, o Dia dos Mortos deveria ser um dia sim, de homenagem aos nossos seres queridos, mas de outra maneira. Aprendermos a fazer um levantamento de como se acham nossas disposições na vida, se estamos vivendo de acordo com os ensinamentos de nossa mãe, de nosso pai, se os estamos homenageando, glorificando seus nomes, pelo tipo de criatura que sejamos: dignas, nobres, amigas, fraternas, cooperosas, dedicadas ao bem.
Afinal de contas, de que outra maneira melhor nós poderíamos homenagear os nossos mortos? Nem sempre levando flores para enfeitar os sepulcros onde se acham seus despojos. Aqueles recursos das flores, quantas vezes poderiam ser transformados, em nome dos nossos mortos, em leite para uma criança pobre, em pães para o necessitado, em remédios para um doente que não os pode comprar, em cadernos para que alguma criança aprenda.
Nós podemos converter aquela quantidade enorme de cera que compramos para queimar nos cemitérios, que não vai levar a lugar algum os nossos mortos, que não precisam de cera queimada, converter isso em roupa, em alimentos, em agasalho, em material escolar, em medicação, em acompanhamento, em homenagem aos nossos mortos.
Quando presenteássemos uma criança com o kit de material escolar, nós poderíamos dizer a ela, caso ela entendesse, ou aos seus pais: Faça uma prece por Fulano de Tal, que é meu filho, que é meu pai, que é minha mãe, que é meu irmão, ou meu amigo.
Nós teríamos formas tão mais agradáveis, tão mais felizes, de homenagear os nossos mortos. E cantar, brincar, e nos alegrar, como eles gostavam que nós fizéssemos.
No Além, eles continuam gostando. Quantos filhos que se foram para o Mais Além e suas mães começam a morrer aqui na Terra. Não se tratam mais, não se cuidam mais, não os respeitam mais.
Se seus filhos gostavam de vê-las bem vestidas, bem cuidadas, alegres, joviais, em homenagem a eles, no Dia dos Mortos e em todos os dias da vida, continuem assim, bem cuidadas, dispostas, alegres. O que não nos impede a lágrima de saudade e nunca a lágrima de revolta.
Se os nossos filhos gostavam de saber que nós estamos envolvidos em atividade social, em alguma atividade do bem como voluntários, servindo numa escola, servindo num velhanato, num hospital, vamos continuar a fazer isso em homenagem a eles, em nome deles que de onde estiverem, nos aplaudirão, nos incentivarão.
Se tivemos nossos entes queridos desencarnados em situações drásticas, pela drogadição, pelo vírus do HIV ou pelo suicídio, mais motivos temos de rogar a Deus por eles, de homenageá-los, fazendo toda a cota de bem que nos for possível. Em honra deles.
Não tenhamos qualquer mágoa deles. Não imaginemos que eles estejam perdidos para sempre. Nunca suponhamos que Deus os vá castigar por sua fragilidade, porque Deus não é um juiz que sentencia. Deus é um Pai que ama, e certamente, se nós estamos fazendo as coisas boas para homenagear no Dia de Finados, ou ao longo dos dias do ano, os nossos amores que foram para o Além, por vias naturais ou por alguma enfermidade, o que é que não faremos para homenagear àqueles que saíram de maneira tão triste, tão lastimável da convivência com o corpo físico.
Por isso é que a nossa oração por eles deverá partir do nosso coração, do mais íntimo do nosso ser, pensando em Deus como o Pai comum de todos nós, mas nos colocando diante da vida de maneira muito operosa, nos tornando pessoas úteis, a fim de que o Dia de Finados transcorra para nós como mais um dia em que homenageamos os nossos seres queridos que demandaram o Mais Além, na vibração, na torcida, fazendo os votos para que os nossos amores, que já se transformaram em estrelas, sejam felizes nessas dimensões do Invisível, junto a Esse amor incomensurável de nosso Pai Celeste.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

JESUS PERANTE A HISTÓRIA

Como se sabe, a vinda de Jesus a este velho planeta de expiações e provas, para o cumprimento de sua missão radiosa, foi anunciada pelos grandes profetas do Antigo Testamento. A Alta Espiritualidade não fez segredo disso, e tudo foi predito até com precisão de detalhes.
Miquéias assinala o lugar onde ele devia nascer. Zacarias vaticina a sua entrada festiva em Jerusalém montado num jumento e o seqüestro (1) por trinta dinheiros (era o preço de um escravo ... ). Davi antevê a flagelação e o martirológio no madeiro infamante. Isaías prediz a sua crucificação entre dois ladrões. O fel e o vinagre, a lançada no peito, a túnica e os dados, as zombarias e o escárnio e, por último, a rogativa ao Pai pelos que não sabem o que fazem - tudo prenunciado e registrado no hebraico. Como se vê, as profecias foram cumpridas religiosamente.
A título de curiosidade, recordemos que o nascimento, a vida e os milagres de Jesus foram anunciados por uma das mais famosas sibilas da Antigüidade: Sambeth. Ela possuía o dom da profecia a um grau elevadíssimo. Deixou vinte e quatro livros de profecias e diversos de seus oráculos foram referidos por Santo Agostinho.
Lancemos agora um olhar sobre a vida pública de Jesus. Além da autoridade dos Evangelhos, quais os documentos históricos que tratam da vida do Divino Mestre? Rigorosamente nenhum. Allan Kardec exclui qualquer documento fora dos Evangelhos: "Nenhum historiador profano, seu contemporâneo, havendo falado a seu respeito, nenhum documento mais existe, além dos Evangelhos, sobre a sua vida e a sua doutrina."
A famigerada passagem de Flávio Josefo na "Antiguidades Judaicas”, citada por Eusébio, foi Lançado à conta de uma interpolação. Maurice Goguel (2) considera que o silêncio de Josefo não foi o silêncio da ignorância, e sim da prudência, e do medo. Teria havido naquela época de tirania uma conspiração de silêncio em torno de Jesus, como observou Gaston Boissier?
Alberto Nin Frias ilustra o argumento de gênios ignorados na sua época com o exemplo de Shakespeare no florescente reinado de Isabel. Ele .passava tão obscuramente que até hoje há quem duvide tenha sido, efetivamente, o autor do 'Hamlet" e outros dramas imortais. Chegou-se a ponto de atribuir a paternidade de suas obras a lorde Bacon, o filósofo de "Novum Organum". Ainda se discute a existência de Homero. Refere o visconde de Benalcanfor que "Valeio Paterculo, escrevendo a história de Roma alguns anos depois da morte de Hordoio, cita - como os três máximos poetas do seu tempo - Virgílio, TibuIlo e Ovídio. Nem uma palavra sequer a respeito de Horácio! Pobre poeta, tão injustamente olvidado, embora a posteridade lhe vingasse a fama imorredoira!'
O original padre jesuíta Jean Hardouin (1646-1729), uma das criaturas mais sábias do seu tempo, "o mais paradoxal dos homens”, negava a pés juntos a autenticidade de quase todas as obras gregas e latinas, a começar pela "Eneida”. Segundo ele, elas haviam sido escritas pelos monges beneditinos da Idade Média, o que levou Boileau a comentar, ironicamente, que muito gostaria encontrar-se com irmão Virgílio e irmão Horácio...
Creio que o padre Hardouin não falava a sério. Ele apenas se comprazia em sustentar as opiniões mais estapafúrdias. E certamente causava impressão. Impressionava porque era senhor de respeitável erudição.
Mas voltemos a Jesus. Falávamos ainda agora da pobreza franciscana de documentos autênticos sobre Jesus. Pois é muito natural que assim sei . a, quando se sabe que a História tem isto de singular: não registra os acontecimentos transcendentais. A chamada memória da humanidade sofre desses eclipses. Fomos encontrar no filósofo russo Chestov ("As revelações da morte") o esclarecimento que procurávamos sobre essa falência mnemônica da História. Diz ele: "O que justamente caracteriza a história é a arte admirável, quase humana e consciente com que apaga os rastros de tudo quanto no mundo sobrevém de estranho, de extraordinário" (os destaques são nossos). E complementa: "O objetivo principal da história consiste em restabelecer o passado sob o aspecto de uma série de acontecimentos ligados entre si pela causalidade. Sócrates, para os historiadores, é apenas um “homem comum”. O que havia nele de especificamente "socrático', não existe aos olhos do historiador.'
Quanto a Jesus, é fácil concluir: se os historiadores de seu tempo falassem nele, Jesus não seria Jesus. Não seria o autor destas frases cintilantes que revelam a natureza de s» missão sublime: 'Todo poder me foi dado no Céu e na Terra; "Eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou"; "Quem crê em mim tem a vida eterna"; "Eu sou a luz do mundo”; “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai sendo por mim”; “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”.
E se disséssemos que a maior prova da presença de Jesus neste mundo reside, precisamente, na sua ausência da História ?

REFORMADOR, FEVEREIRO, 1979

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PAI NOSSO (MARIA DE NAZARÉ)


Pai nosso, que nos hás criado, arrancando-nos como uma centelha eterna do teu coração de ouro.
Que estás nos céus.
Que estás nos céus limitados de cada dor e de cada enfermidade
Que estás no sangue que se derrama
Que estás no céu sem distancia do amor.
Santificado seja o teu nome.
Santificado e repetido com orgulho, com satisfação do filho poderoso.
Venha nós o teu reino
Chegue aos homens a sombra de tua sabedoria
Venha a nós a brisa que impele a vela.
Venha logo o sinal de Teu Filho, meu adorado Filho, venha a nós as verdades do teu reino.
Faça-se a tua vontade na Terra e nos céus.
E que o homem saiba compreender.
Que os espíritos conheçam que nada morre ou muda sem o teu conhecimento.
Que não percamos o sentido da tua última palavra: “Amai-vos”
Faça-se a tua vontade, ainda que não a entendamos.
O pão de cada dia dá-nos hoje.
Dá-nos o pão da alegria dos pequenos momentos.
Dá-nos o pão das promessas.
Dá-nos o pão da paciência e do repouso
Dá-nos o pão da coragem e da justiça.
E o fogo e sal da companhia.
E também o pranto que limpa.
Dá-nos Pai, o rosto da tua imagem.
E perdoa nossas dividas
Desculpa nossos erros como pai esquece as faltas do filho.
Perdoa as trevas do nosso egoísmo.
Perdoa as feridas abertas.
Perdoa os silêncios e o toar das calunias.
Perdoa nossa carga pesada de desconfiança
Perdoa este mundo que, a força de solidão, está ficando só.
Perdoa nosso passado e nosso futuro.
E não nos deixes cair em tentação da riqueza, nem na miséria e na estreiteza de espírito.
Livra-nos, Pai, de toda certeza e segurança materiais.
Livra-nos.

sábado, 17 de outubro de 2009

O MUNDO SÓ FALTA O PRINCÍPIO QUE REGE O UNIVERSO: O AMOR

Quando vos desnudardes sem sentir vergonha, tomardes vossas vestimentas, as colocardes sob os pés como as crianças e as pisoteardes, então vereis o Filho do Vivente e não temereis.
Deus não tem inimigos.
Os homens são hábeis manipuladores da Verdade. Um pai pode sentir-se aflito com as loucuras do filho, mas nunca condenaria os seus a um mal permanente. O inferno significaria que uma parte da Criação haveria escapado das mãos do Pai... E posso assegurar que crer nisso é não conhecer o Pai.
A vida é uma aposta, uma aposta pelo Amor. É o único bem em jogo desde que se nasce. Não há aqueles que nunca amaram. Os sanguinários, os tiranos, também estes amam à sua maneira. Quando passarem para o outro lado levarão um bom susto... Eles se darão conta, ao deixar este mundo, de que ninguém lhes perguntará por seus crimes, riquezas, poder ou beleza. Eles mesmos, e só eles, se convencerão de que a única medida válida, no outro lado, é a do Amor. Se não amaste aqui, em teu tempo, somente tu te sentirás responsável. Os que não tiverem querido amar serão os brandes burlados e, em conseqüência, os últimos no Reino do meu Pai.
Em verdade te digo que todos os nascidos levam o selo da Divindade. Deus é um Deus de amor. Não o fosse e não seria Deus. Quanto ao castigo ou prêmio, é a nossa própria injustiça a que se volta contra nós próprios.
O Filho do Homem só veio para transmitir a vontade do Pai: que todos sois seus filhos!
Que significa ser filho de Deus? Haver sido criado pelo Pai supõe a máxima manifestação de amor. Ele dá tudo sem pedir nada em troca. Eu recebi o encargo de recordar isso. Essa é a minha mensagem. Estais condenados a ser felizes. É questão de tempo. É necessário que o mundo entenda, e ponha em prática que o único meio para ele é o Amor.
Em verdade te digo que a palavra do Pai deverá ser estendida até os confins da terra... Mas isso não implica condicionar ou dobrar minha mensagem à vontade do poder ou das leis humanas. Não é possível que um homem monte dois cavalos ou que dispare dois arcos. Como não é possível que um criado sirva a dois amos. Senão, ele honrará a um e ofenderá ao outro. Ninguém que beba vinho velho deseja no momento beber vinho novo. Não se verte vinho novo em odres velhos, para que não azede, nem se transvasa vinho velho em odres novos, para que não deteriore. Nem se cose um remendo velho a um vestido novo porque se faria um rasgão. Da mesma forma te digo: minha mensagem só necessita de corações sinceros que a transmitam; não de palácios ou falsas dignidades e púrpuras que a cubram.
Ai dos que antepuserem sua estabilidade à minha vontade! Minha vontade é que os homens se amem como os tenho amado. Isso é tudo.
Tu necessitas de igreja para chegar ao teu coração? Muito antes de que existisse a tribo de Davi, muito antes de que o homem fosse capaz de erguer-se sobre si mesmo, meu Pai havia semeado a beleza e a sabedoria na terra. Quem vem antes, portanto, Deus ou a igreja?
Santo é meu Pai. Santos sereis todos vós no dia em que amardes.
O amor não necessita de templos ou legiões. Um homem tira o bem ou o mal de seu próprio coração. Um só mandamento vos é dado, e tu sabes qual é... O dia em que meus discípulos fizerem saber a toda a humanidade que o Pai existe, sua missão estará concluída.
Em verdade te digo que Ele sabe que terminará triunfando. O homem sofre de cegueira, mas eu vim para abrir-lhe os olhos. Outros seres descobriram já que é mais vantajoso viver no Amor.
Eu já disse que os tíbios, vomitá-los-ei pela minha boca, mas não tentes mortificar teus irmãos na malícia ou na pressa. Deixa que cada espírito encontre seu caminho. Ele mesmo, ao final, será seu juiz e defensor.
Por que tanto vos preocupais todo com o final, se nem sequer conheceis o princípio? Já te disse que do outro lado vos espera a surpresa...
Deus é tão liberal, que até mesmo permite que te enganes. Ai daqueles que se arrogam o papel de sabedores, respondendo ao erro com o erro e à maldade com a maldade! Ai dos que monopolizam Deus